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Com o cenário de crise, nível de serviço e percepção de custo benefício adequado são os fatores que devem diferenciar as empresas que se sairão melhor das outras

A atual situação do varejo no Brasil não é nada animadora. Nem mesmo os mais otimistas conseguem enxergar uma melhora nesse segmento, pelo menos até o segundo semestre de 2016, quando nossa economia deverá apresentar sinais de recuperação efetiva. De acordo com as estatísticas, a queda na venda do varejo no consolidado de 2015 está em torno de 5,3%.

Como é de se esperar em cenários como o que estamos vivendo, a população das classes mais baixas são as que mais sofrem. Ao mesmo tempo em que a renda diminui, o custo de vida aumenta. Pesquisas indicam que as classes C D e E, já diminuíram em cerca de oito vezes suas idas aos pontos de venda.

Para deixar a situação ainda mais desafiadora, a pesquisa Mensal de Emprego do IBGE mostrou que a massa salarial real caiu 10% entre novembro de 2015 e maio deste ano. E sabemos que essa queda é resultado de três fatores: recuo da renda, aceleração da inflação e diminuição da ocupação, que atingiu recentemente o pico de 8,1%. Ainda conforme dados do IBGE, no total, 8,157 milhões de pessoas estão atrás de um emprego no Brasil.

Não só o varejo, mas a economia como um todo sofre um impacto direto com essa queda. As regiões Norte e Nordeste, que apresentaram o maior crescimento do PIB nos últimos anos, atualmente são as que obtiveram maior recessão e, consequentemente, a maior retração no consumo.

Por esse motivo, assim como em outros segmentos, empresas do varejo aplicam todos os esforços numa busca incessante pela redução de custos e melhora da produtividade. E aqui tocamos em um ponto ainda mais delicado: não se pode confundir redução de custos com queda na qualidade, uma vez que ser barato não significa ser ruim. O motivo é simples: um dos indicadores mais importantes para o segmento do varejo é o índice de confiança do consumidor. Por isso, atenção com a qualidade da entrega, do produto em si e do pós-venda, é essencial. O que vai diferenciar as empresas que deverão se sair melhor do que as outras nesse momento são nível de serviço e percepção de custo benefício adequado.

A situação pode não ser fácil, mas como costumo dizer, precisamos ser positivos sempre. Não importa o tipo de negócio. Seja otimista, aposte na inovação e na criatividade, tenha em mente que qualidade e respeito ao consumidor devem imperar. Só assim esse momento de turbulência poderá ser encarado com mais tranquilidade.

Acacio Queiroz é Chairman da Chubb do Brasil. Formado em Economia, pós-graduado em Finanças e com especialização em Business nos Estados Unidos. Acacio é Conselheiro certificado pelo IBGC e Fundação Dom Cabral. É membro dos Conselhos Diretor e Superior da CNseg, diretor da Fenseg e participante dos Conselhos da ANSP, APTS e WTC. Participa do G100 - Grupo de Líderes e Conselho Econômico e do HSM CEO Knowledge Hub.

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