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Digitalização da força de trabalho com avanço da inteligência artificial e da robótica deve provocar grandes transformações nas estruturas organizacionais

Cada vez mais, a inteligência artificial (IA) e a robótica entram no nosso dia a dia, afetando a própria natureza do trabalho. O fato é que será inevitável a substituição de funções ocupadas por humanos hoje. Recente estudo estimou que cerca de 47% dos empregos atuais, nos EUA, estão em risco. Outro estudo mostrou que 45% das atuais atividades executadas por funcionários podem ser automatizadas. Ele observou que, embora apenas 5% das atividades possam ser inteiramente substituídas pelas tecnologias atuais, 60% das funções podem ter 30% ou mais de suas atividades automatizadas.

Em consequência, a digitalização da força de trabalho vai provocar também uma mudança significativa na forma de como as empresas se estruturam e se organizam. Este é um novo desafio: nos próximos anos, com a evolução exponencial das tecnologias, as estruturas organizacionais, processos e definições de trabalho serão transformadas. Os princípios e modelos organizacionais que usamos hoje, baseados nos conceitos da sociedade industrial, que se move a um ritmo mais lento, não serão mais adequados. Já sabemos que a automação e o uso intenso de IA pode desagregar as atuais funções em tarefas e subtarefas que poderão ser automatizadas. A questão em aberto é como reagregar as tarefas que não poderão ser automatizadas em novas formas de trabalho. Provavelmente irá mudar o conceito do que entendemos como uma profissão ou função hoje.

Temos que repensar as atuais estruturas organizacionais. O mundo dos negócios terá que ser reinventado. De maneira geral de 20% a 30% do headcount de uma empresa estão em funções de administração e gerencia. Mas este modelo, de comando e controle, tipicamente hierárquico, deixa de ser necessário com novas tecnologias e novos modelos organizacionais, com empresas estruturadas em rede e modeladas para serem exponenciais.

O que fazer? Uma estratégia de ação pode e deve começar a ser desenhada: repensar as estruturas organizacionais para serem mais fluídas e mais integradas entre si, redefinir as funções e papéis das atividades exercidas pelos profissionais, dividi-las em tarefas e subtarefas, alocando-as para humanos ou futuramente máquinas (e começando com uso de ofertas de serviços externos) e repensando carreiras e modelos de retenção de talentos.

Cezar Taurion é consultor sênior, com experiência em debater e avaliar impactos das evoluções tecnológicas nos negócios. Também é palestrante e autor de seis livros, que abordam temas como cloud computing, big data e inovação.

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