Revista ClienteSA - Edição nº 76 - Ano 7 - Outubro/2008
Razão ou Emoção? E agora?
[04/11/2008 - 15:04] - A combinação entre as duas gera uma poderosa ferramenta de gestão
Autor: Júlio Xavier
É notório o movimento que as empresas começam a ter, repensando suas práticas gerenciais que permitem a manifestação da emoção além da razão. Por longos anos, a mensagem ininterrupta dirigida aos colaboradores foi a de deixar as emoções guardadas em casa, evidenciando a razão como o melhor formato para gerenciar e decidir situações.
No entanto, vivenciamos um novo momento no qual as emoções, colocadas em relevância dentro das organizações, combinadas de forma adequada com a razão estão se tornando poderosas ferramentas de gestão. E podem influenciar e introduzir mudanças significativas no comportamento humano, ajudar as empresas e as pessoas a tomarem decisões mais assertivas e eficazes, além de buscar sempre o alinhamento com os valores corporativos existentes.
Para o neurocientista português, Professor Dr. Antonio Damásio, a razão pura não existe: "nós pensamos com o nosso corpo e nossas emoções!" E vai além. Em seu livro O Erro de Descartes, o professor explora a biologia da razão e sua dependência inseparável e absoluta da emoção.
A cultura organizacional desenvolveu e aprendeu a fragmentar a razão da emoção. Hoje, diante das novas necessidades de gestão, principalmente da busca por resultados consistentes e continuados, precisamos repensar o comportamento organizacional rompendo com os paradigmas do passado ainda existentes.
Se os grandes avanços das civilizações no mundo foram e ainda são movidos mais pela emoção do que pela razão, porque não resgatar este valor e trazê-lo efetivamente para dentro das empresas, assumindo com coragem que essa descoberta possa ajudar na tomada de decisões?
Nas organizações tradicionais o que temos é a dissociação entre razão e emoção no processo decisório, contribuindo desta forma, para que as pessoas se sintam, muitas vezes, subestimadas pelos seus gestores, ocasionando em muitos casos a ruptura no processo do relacionamento e da própria confiança.
Já as organizações modernas têm combinado o uso da emoção e da razão para buscarem a expressão da verdade nos sentimentos humanos e colaborativos e, dessa forma, impulsionar o surgimento de diferenciais competitivos marcantes.
A presença feminina, mais acentuada no mercado de trabalho nos últimos anos, vem acolhendo novas formas de entender o lirismo presente nas relações entre empresas e colaboradores. Isto significa que as emoções estão muito mais presentes nas empresas, ajudando-as a entenderem e introduzirem novas formas no processo de gestão com mais profundidade e, dessa maneira, colhendo frutos mais robustos, doces e verdadeiros.
Como citou Nelson Mandela "quando deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente, damos a outras pessoas permissão para fazer o mesmo. Quando nos libertamos de nosso próprio medo, nossa presença automaticamente liberta outros".
Quando olharmos com mais profundidade e conseguirmos desfragmentar a razão e a emoção, entendendo que são sentimentos aliados e não destoantes, quem sabe iremos vivenciar uma nova fase de relacionamentos entre empresas e seus colaboradores.
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Júlio Xavier, economista com MBA em marketing pela USP é Coordenador do MBA Excelência no Relacionamento com Clientes junto ao Ibmec-SP. E-mail: [email protected]
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